Igreja de Santa Ifigênia

Rua Santa Ifigênia, 30 – Centro Velho – São Paulo

Vitrais confeccionados em Veneza, no estilo gótico, rosácea representando a Sagrada Família

Há 200 anos o mundo passava por grandes transformações.A então recente Revolução Francesa alterou o quadro social do mundo e a Família Real Portuguesa desembarcava no Brasil fugindo das tropas napoleônicas mudando definitivamente o cotidiano do Brasil, uma vez que a capital de Portugal foi transferida para nossas terras.

Por volta de 1720, na pacata São Paulo, existia a Capela de Nossa Senhora da Conceição localizada no alto de um morro no Vale do Anhangabaú. Esta igreja foi demolida e outra foi concluída em 1795. Em 1801, ainda em Portugal, D. João IV Príncipe Regente, determinou que as Irmandades de Santa Ifigênia e Santo Elesbão se estabelecessem na igreja. Essas irmandades eram destinadas aos negros e escravos alforriados e, conseqüentemente, a igreja mudou de nome para atender a este grupo social. Nascia assim a Igreja de Santa Ifigênia. Esta igreja colonial paulista foi construída em taipa de pilão, uma técnica milenar que consiste em socar o barro com golpes de pilão dentro de uma forma. A antiga Igreja de Santa Ifigênia possuía paredes com cerca de 90 cm a 1,5m de largura.

Imagem lateral com os altares de Santa Ifigênia e São JoséTeto decorado pelo artista italiano Gino CataniTelas dos pintores Calixto, Henri Bernard, Dario V. Barbosa e Carlos Osvald compõe o ambienteÓrgão gótico (inaugurado em 1922) – fabricado na Alemanha pela Casa Walcker, na época um dos maiores da América Latina

Existe uma grande diferença entre o antigo e o velho. Podemos considerar o antigo como conservado, que é conhecido desde longo tempo e que possui identidade cultural. O velho é ultrapassado, descartável. Também pode possuir identidade cultural, mas a nossa cidade contempla mais o novo do que o antigo. Esta igreja, velha sob os olhos da cúria diocesana, foi demolida no início do século XX. Em 1904 a atual igreja começou a ser construída e inaugurada em 1909, ainda inacabada.

De 1930 a 1954 a Igreja de Santa Ifigênia serviu de catedral, pois na agitada São Paulo a “velha” Igreja da Sé estava sendo demolida, dando lugar à opulenta Catedral da Sé que hoje conhecemos. Com um rico acervo artístico, a Igreja de Santa Ifigênia é um marco na história de São Paulo, uma cidade que, aos poucos, está deixando de existir.  A Igreja possui obras dos renomados pintores Benedito Calixto (1853 – 1927), do pintor italiano e naturalizado brasileiro Carlos Oswald (1882 – 1971) e do também italiano Gino Catani (1879 – 1944). Sua arquitetura é neo-românica com detalhes neogóticos, inspiração em igrejas medievais. Esta manifestação arquitetônica apresenta-se em outras igrejas de São Paulo como a Igreja da Consolação (que possui obras do pintor Oscar Pereira Silva) e a Catedral da Sé. Depois de 200 anos da primeira demolição, a edificação presente hoje agoniza a espera de um passo: a restauração. A carência de recursos para manter a estrutura da igreja nas condições ideais faz com que inúmeros pontos da construção apresentem sinais de profundo desgaste.

Santíssimo Sacramento exposto há 71 anosO acervo artístico e histórico está disponível à visitação pública

Os vitrais confeccionados em Veneza, no estilo gótico, rosácea representando a Sagrada Família estão precisando de pequenos reparos, o magnífico órgão gótico (inaugurado em 1922) – fabricado na Alemanha pela Casa Walcker, e na época um dos maiores da América Latina está tomado por cupins, problemas de infiltrações prejudicam e muito obras de Benedito Calixto, Henri Bernard, Dario V. Barbosa e Carlos Osvald.

À espera de  um patrocinador para bancar o restauro, a igreja encaminha-se às leis de incentivo do governo.  É provavelmente o único meio da igreja preservar-se uma vez que os dízimos, numa paróquia hoje frequentada principalmente por pessoas  de baixa renda, são muito pequenos para reformas de tão largo espectro. A Igreja de Santa Ifigênia foi tombada pelo CONPRESP – Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo, em 1992, com o nível máximo de proteção, o que significa o reconhecimento de todos os seus elementos constituintes internos e externos.

Fontes | www.saopauloantiga.com.br | www.santaifigenia.sites.uol.com.br

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